Entre a Aposta e a Prudência: A Estratégia de Venda de Café em Minas, Vista pelo Produtor Roberto Alvarenga
Em meio a um cenário de baixa e recomendações de venda, entrevistamos o produtor mineiro Roberto Alvarenga para desvendar sua estratégia de comercialização, equilibrando dados de mercado e experiência no campo.
Entre a Aposta e a Prudência: A Estratégia de Venda de Café em Minas, Vista pelo Produtor Roberto Alvarenga
12 de abril de 2026
O mercado de café arábica vive momentos de tensão. Com o preço do contrato futuro na ICE Futures cotado a 281.60 ¢/lb e as tendências de um e cinco dias apontando para baixa (com alta confiança, respectivamente 76% e 77%), a cautela se torna um imperativo para o produtor. A recomendação do nosso Conselho de Notáveis é clara: Venda, mesmo que com uma confiança calibrada para 67% devido à proximidade da mínima de 52 semanas e sinais de desaceleração do momentum.
Para entender como um produtor rural se posiciona diante desse cenário, o Café Futuro conversou com Roberto Alvarenga, cafeicultor experiente de Carmo de Minas, no Sul de Minas Gerais, região renomada pela qualidade de seus cafés especiais. Roberto, que administra uma propriedade familiar há mais de 30 anos, compartilha conosco sua visão em um momento tão delicado.
A Visão do Campo: Roberto Alvarenga e a Gestão de Risco
“Bom dia, pessoal do Café Futuro! É sempre um prazer compartilhar um pouco da nossa realidade aqui no campo”, começa Roberto, com a voz embargada pela paixão que nutre pelo café. “Esse cenário de baixa, confesso, nos deixa com o olho virado. Ver o arábica a 281.60 ¢/lb e as previsões apontando para baixo nos faz pensar e repensar cada saca, cada decisão.”
Perguntamos a Roberto sobre como ele analisa a recomendação de venda do nosso Conselho, que, apesar da confiança de 67%, leva em conta a proximidade da mínima de 52 semanas e a desaceleração do momentum.
“Olha, eu respeito muito as análises de vocês. Essa menção à cadeia causal do Macro-Estratégico, que vocês sempre destacam com excelente track record, é algo que eu levo em consideração. Mas aqui na roça, a gente também tem o nosso ‘track record’ – o da experiência. Meu pai sempre dizia: ‘o café no armazém não paga a conta no banco’. E tem um fundo de verdade nisso.”
Estratégia de Venda: Planejamento e Flexibilidade
Roberto nos explica que sua estratégia de venda é multifacetada e se adapta às condições do mercado, mas sempre com um planejamento de base.
- Venda Antecipada com Trava: “Parte da minha safra, cerca de 20-30%, eu já vendo antecipadamente, mas sempre com alguma trava que me dê segurança. Isso garante um fluxo de caixa inicial e me protege de quedas mais bruscas. Não é o caso agora, claro, pois o preço atual e a tendência de baixa não favorecem novas travas.”
- Monitoramento Constante: “Eu acompanho o mercado diariamente. Os relatórios do Café Futuro são essenciais. Essa informação de que o Conselho de Notáveis recomenda VENDA, mesmo considerando os 67% de confiança, é um alerta importante. Saber que a confiança está calibrada por causa da mínima de 52 semanas e a desaceleração do momentum me faz pensar que o fundo pode estar próximo, mas ainda não é o momento de apostar em uma recuperação rápida.”
- Vendas Fracionadas: “Nunca vendo tudo de uma vez. Eu costumo fracionar as vendas ao longo do ano. Isso me permite aproveitar picos eventuais, caso aconteçam, e diluir o risco de vender todo o meu estoque na baixa. Com a tendência de baixa confirmada para 1 e 5 dias, e a recomendação de venda, estou mais propenso a realizar vendas menores, procurando um repique ou uma estabilização, mesmo que temporária.”
- Custo de Produção como Balizador: “Meu custo de produção é o meu norte. Eu preciso vender acima dele para ter lucro. Se o preço do mercado está se aproximando do meu custo – e 281.60 ¢/lb já é um patamar que acende o sinal amarelo para muitos – a pressão para vender e garantir a margem, mesmo que pequena, aumenta.”
O Olhar para o Futuro: Qualidade e Sustentabilidade
Mesmo em um cenário desafiador, Roberto enfatiza a importância da qualidade e da sustentabilidade. “A longo prazo, é isso que nos diferencia. Nossos cafés especiais, com certificações, conseguem um prêmio que nos ajuda a navegar por essas marés baixas do mercado futuro. É uma forma de agregar valor e não ficar refém apenas da cotação da bolsa.”
Para Roberto, a decisão de venda é uma balança constante entre a necessidade de liquidez, a análise técnica do mercado e o seu próprio custo de produção. “É difícil, sim. Mas é preciso ter cabeça fria. A recomendação de venda do Conselho de Notáveis, aliada à proximidade da mínima de 52 semanas, me faz ser mais conservador agora. Não vou segurar café esperando um milagre, mas também não vou me desesperar e vender tudo no desespero. É uma questão de encontrar o equilíbrio, o que para mim, hoje, significa vender pequenas quantidades, se o mercado oferecer alguma brecha, e monitorar de perto os próximos movimentos.”
A conversa com Roberto Alvarenga reforça a complexidade das decisões no campo. Em um ambiente de 281.60 ¢/lb e tendências de baixa, a experiência do produtor, aliada à inteligência de mercado, é fundamental para traçar estratégias de venda que minimizem riscos e garantam a sustentabilidade da atividade. O Café Futuro continuará acompanhando de perto essas dinâmicas, oferecendo informações para que produtores como Roberto possam tomar as melhores decisões.